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Libertação do 10º preso que estava ilegalmente preso e audiência pelo PGR

Cidade da Praia, 08 Dez (Inforpress) – O advogado Amadeu Oliveira foi hoje ouvido pelo Procurador Geral da República (PGR), Óscar Tavares, na sequência de denúncias que fez sobre casos, segundo ele, de pessoas “condenadas injustamente”, sendo uma delas devolvida esta quinta-feira, à liberdade.

“A partir de hoje vou ser ouvido e apresentar documentos”, precisou Amadeu Oliveira ao ser contactado pela Inforpress, via telefone, momentos antes de entrar na Procuradoria Geral da República.

Oliveira acha uma “incorrecção” o facto de ser o próprio PGR a instruir o processo contra ele.

Instado sobre o seu estado de espírito, respondeu nesses termos: “Estou tranquilo. Não vou espalhar muito. Vou falar só de processos muito concretos em que há réus presos ilegalmente e quero libertá-los”.

“Eram onze presos ilegalmente e já consegui libertar alguns, sendo que um deles foi libertado ontem (quinta-feira) à noite”, indicou Amadeu Oliveira.

À pergunta se constituiu advogado, disse que não precisa, mas que, quem quiser o pode ajudar, como é o caso do casuístico Vieira Lopes.

“Não são advogados constituídos, mas sim amigos que estão a dar-me o apoio”, esclareceu, acrescentando que se trata de uma “coisa séria” e, por isso, tem que ser “sem truques nem estratégias de advogados”.

Recuando um pouco no tempo, o entrevistado da Inforpress revelou que o processo em que está envolvido se iniciou em Dezembro de 2015, quando detectou “onze réus presos ilegalmente”.

“Na altura, fiz uma queixa contra o juiz que tinha aqueles onze presos, nove deles foram imediatamente libertados, e dois continuaram abusivamente na prisão”, asseverou o advogado, ajuntando que foi a partir daí que começou a fazer as denúncias para que os restantes “presos injustos” fossem devolvidos à liberdade.

Segundo ele, Gilson Veiga, 25 anos, natural de Santo Antão, que tinha sido condenado a seis anos de prisão efectiva que, na sua opinião, foi “injustamente condenado” foi, nesta quinta-feira, 07, libertado para a repetição de todo o julgamento, “porque o anterior foi uma fraude”.

“Até ao momento, já temos dez libertos e apenas ficou um em que as fraudes processuais são mais graves. Trata-se de um emigrante que foi passar um fim de semana em Santo Antão e ficou preso até hoje, alegadamente por homicídio”, lamentou Amadeu Oliveira.

Questionado se existem provas que incriminam o referido emigrante no alegado caso de homicídio, respondeu que o emigrante em apreço “só está preso por fraudes processuais, inserção de falsidades por parte do juiz de Santo Antão, Afonso Lima Delgado, e por parte de três juízes do Supremo Tribunal de Justiça”.

Revelou também à Inforpress, que não recebe nenhum tostão na defesa deste total de onze pessoas que considera terem sido presas injustamente.

“É um trabalho de cidadania, pesem embora alguns familiares, sobretudo do emigrante em França, já se disponibilizaram para apoiar financeiramente, mas recusei e só posso aceitar alguma coisa no fim para ninguém me acusar de ser um advogado de dinheiro”, garantiu Amadeu Oliveira, lembrando que ele vive entre Praia e Sal, pelo que tem despesas com as viagens e hotéis nas deslocações que faz.

“Ou derem alguma ou não faço isso na mesma”, garantiu.

Instado se a Procuradoria Geral da República lhe pagou as passagens para se deslocar à Praia, Amadeu Oliveira disse que não. “Não, eu é que ofereci a minha cabeça para vir. Ninguém pagou. Eu vim e virei sempre”, enfatizou.

“A libertação ontem (quinta-feira) à noite do décimo preso foi mais uma vitória, ficando apenas um, dos onze que prometi libertar”, concluiu o advogado Amadeu Oliveira em declarações à Agência Noticiosa Inforpress.

LC/FP

Inforpress/Fim

Fonte: http://www.inforpress.publ.cv/advogado-amadeu-oliveira-comecou-ouvido-hoje-pelo-procurador-geral-da-republica/

4 Comments

  • Homi anhô ě um “CABRAL” homi ki sata futifuti na meio de de poderosos da justiça caboverdiana para o bem do povo e da justiça.
    É por isso ki nós caboverde dja ka é kel cabo verde de sperança como dizia o nosso Norberto tavares.

  • Fazer equilibrar a balança da justiça em Cabo Verde sempre foi necessário dois pesos equidistantes de sabedoria e consciência judicial…! Se pela 10ª vez conseguistes equilibrar estes defeituosos pratos, persiste que ganharão os Caboverdianos…!

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